O procedimento OFII, um pequeno grande detalhe


Fala, galera! Apareci! Prontos para mais uma aventura? Então vamos lá!

Quando você chega em Paris, além das 1500 coisas que você tem que organizar para iniciar sua vida por aqui, ainda tem o tal do procedimento OFII (aquele que te explicam no dia em que te entregam o visto) para realizar. Então hoje vou falar um pouco sobre ele, que é de extrema importância e sobre o qual quase ninguém te fala.

O que é o procedimento OFII? No dia em que você pega o passaporte com o visto, o funcionário do consulado entrega também um formulário que você deve preencher e as instruções sobre o que fazer em seguida. O endereço para onde você deve enviá-lo preenchido junto com a cópia do seu passaporte (pelo correio, o famoso La Poste) assim que chegar à França é o do Office Français de L'Immigration et de L'Intégration, o OFII, que é basicamente um escritório de imigração francês, onde todos os imigrantes submetidos a um visto de longa duração devem se apresentar para um exame médico (?!) assim que chegam ao país. Na folha de orientação que o consulado dá, consta que após enviar os documentos, você receberá no endereço indicado uma carta com um rendez-vous, ou seja, uma data e hora marcadas no OFII para mostrar (mais) alguns documentos e realizar os exames.

Place de la Bastille vista da janela do ônibus. O OFII fica ali pertinho. Foto: Vanessa Santos

Atenção: este procedimento é obrigatório e deve ser realizado imediatamente após a chegada à França. Você tem um prazo de três meses para realizá-lo, e nestes três meses tem liberdade para viajar para fora do país e retornar tranquilamente, mas se após estes três meses você não tiver completado o procedimento, estará na França ilegalmente. Como vão saber que tudo foi feito corretamente? O OFII cola um selo no seu passaporte com seus dados e indicando que você tem autorização para residir na França. 

A sumida


Pessoas queridas,

Estou passando para dizer que não abandonei o blog. Estou é numa correria trabalhando, assistindo aulas e me angustiando com a proximidade da entrega da dissertação do Master, que é daqui a dois meses. Qualquer hora apareço com mais aventuras na Cidade Luz!



Bisou!

Sobre a experiência de estudar na Paris-Diderot (Paris 7)


Faz quatro meses, quase cinco, que cheguei à França e me matriculei na Université Paris-Diderot, a Paris 7. De lá para cá já foram muitíssimas emoções "living the dream" de estudar em Paris. Mas afinal, como é estudar numa universidade francesa? O que tem de bom e o que tem de ruim?

A matrícula. Para começar, já no dia da matrícula, dia 2 de setembro, eu levei um balde de água fria na cabeça ao chegar à faculdade. Toda aquela organização obsessiva, aquela atenção que o Campus France te dá, tudo aquilo cai por terra na França. Cheguei à Paris 7 no horário marcado e simplesmente não me pediram nenhum documento, nada de nada (tirando meu passaporte). Nada de diploma, histórico etc, como diziam no agendamento da matrícula. Fizeram perguntas sobre a minha formação e anotaram o que eu dizia. E se eu tivesse mentido?

Depois disso, ninguém sabe te informar mais nada sobre a sua formação. Eu fiquei andando feito barata tonta, tive que voltar lá mais duas vezes para conseguir alguma informação (incompleta) sobre o que fazer depois da matrícula. Numa dessas vezes eu voltei para casa sem sequer conseguir chegar ao setor de estudos psicanalíticos, porque o prédio Olympe de Gouges é um belo de um labirinto e nem as pessoas que trabalham lá sabem te explicar onde ficam as coisas. Depois de muito rodar, encontrei a funcionária responsável pelo Master 2 Recherche, que me "explicou" como as coisas funcionavam. Ela disse que não faríamos a inscrição pedagógica - fase 2 - (a que eu tinha feito havia sido a administrativa - fase 1 - ), pois ela mesma nos inscreveria nas disciplinas, e que eu tinha que somente me informar sobre a aula de língua estrangeira, sem me dizer que esta só seria obrigatória no 2º semestre. Corri atrás feito louca, dando cabeçadas por todo lado, e consegui me inscrever na aula de Francês Língua Estrangeira, depois de fazer um teste online para definir meu nível.

A Paris 7 e o belo jardim onde os alunos adoram ficar - quando tem sol-. Foto: Vanessa Santos

Je suis Charlie E Je suis Ahmed. Paris e os tempos de terrorismo


Na quarta-feira, dia 7 de janeiro de 2015, eu estava na faculdade o dia todo fazendo provas, então demorei a ficar sabendo do ataque ao jornal Cherlie Hebdo, e mais ainda a perceber a gravidade da situação para o país. Quando voltei para casa, por volta das 18h, não notei nada de diferente nem no metrô nem nas ruas, e só sabia que dois homens haviam invadido um jornal e aberto fogo. Cheguei em casa e vi as mensagens dos amigos no Facebook perguntando se eu estava bem, pedindo notícias, pois estavam vendo um plantão, cobertura completa, de um ataque terrorista em Paris. Então eu fiquei sabendo que era um jornal que publicava caricaturas de Maomé e ridicularizava o Islã e por vezes também o Catolicismo (eu mesma, que não tenho religião, tinha ficado chocada dias antes com uma capa do jornal ridicularizando Jesus Cristo, a primeira capa que tinha visto deles). Os dois homens teriam dito que estavam "vingando" o profeta (Maomé).

Foto: Rohma Malik/ Twitter
Tranquilizei todo mundo dizendo que estava bem, que o local onde havia ocorrido o ataque era próximo de onde eu moro mas não conheço nem passo por lá, e que não tinha notado nada de diferente na volta para casa nas ruas. Muita gente me perguntou como estava o clima na cidade, e demonstraram preocupação crescente, uma vez que uma "guerra" havia eclodido no país, com a polícia em alerta máximo, o assassinato da policial na divisa de Paris com Montrouge no dia seguinte, a caça aos suspeitos do ataque ao jornal e a cobertura da mídia 24h por dia (no Brasil, inclusive) mostrando cada detalhe e considerando os acontecimentos como o "11 de setembro da França".

Natal na Champs-Elysées


Ontem foi dia 24 de dezembro e pela primeira vez na minha vida eu não passei a noite de Natal em casa, ou com a família, ou no meu país. E o resultado foi: farofa na Champs-Elysées. Ou melhor, nem farofa teve porque não tinha comida. Ha!

Decoração da Champs-Elysées para o Natal 2014. Foto por mim mesma.

Tudo começou quando um casal de amigos brasileiros que conheci aqui, a Maria Júlia e o Douglas, e eu nos demos conta de que não seria possível fazermos uma ceia de Natal no apartamento de nenhuma das pessoas envolvidas (incluindo pais e amigos deles) porque moramos em mini-apartamentos ou então apartamentos sem mesa, com mesa pequena, sem pia da cozinha etc. Aí começamos a nos indagar onde diachos íamos passar o Natal. Não queríamos fazer reserva em algum restaurante porque íamos gastar todo o salário de um mês em um jantar e além do mais já estava em cima da hora. Até que Maju saiu com a ideia de passarmos na famosa, épica, ostentação, Avenue de Champs-Elysées, no Marché de Noël (Mercado de Natal) que fica montado lá nesta época do ano, cheio de barracas de crepe de Nutella, queijos, churros, vinho quente e outras delícias. Com uma pesquisa o Google, vimos que o mercado supostamente estaria aberto até as 23h. Levaríamos vinho e algum petisco e tudo estaria bem.

Morar Sozinha: As 1001 Idas ao Supermercado


Chega uma época da vida em que todo mundo quer sair de casa e morar sozinho, ter seu apê, seu emprego, ser dono do próprio nariz. Aí um dia você resolve fazer um mestrado na França e tem a oportunidade de sentir na pele o que é morar sozinho. Eu estou passando por essa fase agora e digo uma coisa: não é nada fácil. Tem suas vantagens, é claro, que são inegáveis, e a principal delas é a tão famosa e desejada liberdade. Arrumar o apê como você quiser, comer o que quiser, limpar quando (e se) quiser, poder ir onde e quando quiser sem ter que dar explicações a ninguém ou sequer dizer aonde vai. Mas aí entra a outra questão: morar sozinho significa que você também vai ter que cuidar de todo o funcionamento de uma casa (apartamento) sozinho e isso pode virar uma grande bola de neve.

Para começar, o supermercado tem que virar seu melhor amigo. Você tem que conhecê-lo como a palma da sua mão, porque você vai ao bendito todos os dias e SEMPRE vai estar faltando alguma coisa. Tem que comprar comida (e muuuita comida), produtos de limpeza e higiene e, acredite, TODO DIA vai ter alguma coisa para comprar que você não pode deixar para o dia seguinte. Você também vai ter que carregar sozinho (e no meu caso, a pé/de metrô) as bolsas de compras, que tem o dom de ficarem mais pesadas a cada passo que você dá. E isso vai acontecer mesmo nos dias em que você ficou o dia inteiro no trabalho ou na faculdade e ainda precisa passar no supermercado, apesar de estar morto de cansado. Não falo nem dos dias em que tenho que ir duas vezes ou a dois ou três diferentes (ou Picard) porque preciso de coisas que tem em um e não no outro. E eu que sempre dizia pra minha mãe que ela ia ao mercado todo dia e não tinha necessidade disso e mimimi.

O "job étudiant": arrumando um emprego na Cidade das Luzes


Quem é vivo sempre aparece! Depois de um longo tempo sem postar, cá estou novamente para mais uma história da vida em Paris.

Acontece que um estudante sem bolsa e sem uma condição financeira confortável precisa arrumar um emprego para ajudar nas despesas que começam a chover assim que você põe o pé no aeroporto Charles de Gaulle. Claro que os estudantes que não precisam do emprego podem querer um, já que é uma grande experiência de qualquer forma, mas no meu caso eu precisava loucamente de um trabalho o mais rápido possível. E aí, como arrumar um?
Spoiler sobre a conclusão do post
Aqui em Paris, assim como em muitos outros lugares, os estudantes trabalham principalmente como babás, ou então como vendedores, recepcionistas, garçons etc. O emprego precisa ser em tempo parcial, já que no visto está especificado que você só pode trabalhar até 60% da durée légale, que é a jornada de trabalho do francês, de 35 horas. Ou seja, você só pode trabalhar em torno de 21 horas por semana.

A Marina, minha professora de francês que também fez o Master aqui e que me deu todas as dicas, tinha me dito que em Paris os estudantes trabalham mesmo é como babá (baby-sitter [se lê "baby-sittér" na pronúncia francesa]) porque é um emprego muito fácil de encontrar, você trabalha só algumas horas por semana, o salário costuma ser bom e o trabalho, tranquilo. Eu, na contramão, não queria trabalhar de babá de jeito nenhum porque eu simplesmente não tenho muito jeito com crianças e nem muita experiência com elas. Sentia que era uma responsabilidade grande demais pra mim cuidar dos filhos de alguém sem nenhum preparo para isso. Aí eu decidi tentar outras coisas.