Aulas preparatórias para o TCF-TP (*Cancelado*)

Atualização em 19/08/2016 - Pessoal, infelizmente tive que cancelar a oferta de aulas particulares porque estou sem tempo para aceitar novos alunos. Estou trabalhando em dois lugares, no meu consultório e em um curso de inglês como professora, então no momento não tenho mais como continuar com a oferta. Se em algum momento eu puder reabri-la, aviso por aqui. Muito obrigada pelo apoio que recebo sempre de vocês! 

OBS: o blog está meio parado nos últimos meses, mas continua, ok? Logo farei uma postagem nova. :)

Queridos leitores do blog, vim anunciar uma novidade para vocês...

Como muitos leitores me enviam mensagens com dificuldade em estudar para o TCF-TP e com muitas dúvidas sobre como o exame funciona, decidi montar uma série de aulas preparatórias para o exame, e estou oferecendo estas aulas particulares em modalidade presencial (na casa do aluno, no Rio de Janeiro, se for acessível para mim) ou online, via videoconferência. As aulas serão voltadas para as competências avaliadas pelo exame: compreensão oral, compreensão escrita, gramática e expressões oral e escrita, e terão duração de 1h. 

Imagino que muitos não saibam, mas além de psicóloga com mestrado em psicanálise e pesquisas interdisciplinares obtido na Université Paris-Diderot, eu também trabalho como professora de idiomas, em cursos como Yes! e BRSchool, e dou aulas particulares de francês, inglês e português para estrangeiros. 

Quem se interessar pelas aulas e quiser saber mais, basta acessar meu anúncio no site Superprof (é através dele que as aulas serão marcadas), e se tiver dúvidas, não hesite em me escrever!


Meu anúncio no Superprof

Bisous!

Abrindo uma conta em banco francês


Abrir uma conta no banco em Paris, assim como alugar o apartamento, era uma coisa que me deixava de cabelo em pé. Tudo que eu lia sobre o assunto fazia essa tarefa parecer das mais difíceis. Porém, da mesma forma que alugar o apartamento não foi difícil, abrir a conta também não foi.

Quando cheguei em Paris, tinha pensado até em não abrir a conta, por uma série de motivos, mas no dia seguinte mesmo, quando fiz a inscrição na faculdade, aderi à assurance maladie da LMDE e me mandaram falar com a moça na mesa da LMDE no prédio ao lado, eu descobri que teria que abrir a conta, querendo ou não. Isso porque a moça me explicou que, para poder receber o reembolso dos meus gastos com médicos e medicamentos, isto é, os benefícios da sécurité sociale, eu teria que anexar ao meu dossiê um RIB (Relevé d'identité bancaire), um documento com todas as minhas coordenadas bancárias. Este documento, que é bem simples, é fornecido pelo próprio banco, e é muito comum nos bancos europeus, pelo que me parece. Nele, tem nome do banco, número da conta, código BIC, IBAN, todas essas coisas necessárias para que uma pessoa de qualquer lugar do mundo pudesse enviar dinheiro para aquela conta. Eu não sei se teria como usar uma conta brasileira para este fim, mas para evitar a fadiga de descobrir, preferi abrir uma conta francesa mesmo, até porque teria que pagar o aluguel, receber meu salário quando tivesse um emprego, entre outras coisas.
Logo do Banque Populaire Rives de Paris, meu banco na França.

Pois bem. Ali mesmo, a moça da LMDE me mandou para a mesa ao lado (tudo friamente calculado), onde estavam os representantes do Banque Populaire Rives de Paris vendendo seu peixe, e eu fui me deixando levar pela onda. A moça do banco me deu uma ficha para preencher com os meus dados e o local de preferência para a minha agência. Com aquela ficha em mãos, uma pessoa da agência me ligaria e marcaria um rendez-vous, para o qual eu deveria levar os documentos necessários.

Os soldes na França: Onde comprar roupa boa e barata


Para aqueles que amam comprar (como eu), chegou a melhor época do ano em Paris: o tempo dos soldes! Os soldes são a liquidação francesa, e temos os soldes d'hiver (liquidação de inverno) e os soldes d'été (liquidação de verão). Cada um é realizado anualmente e mais ou menos nas mesmas datas. De 6 de janeiro à 16 de fevereiro de 2016, estamos oficialmente nos soldes d'hiver por toda a França, com descontos que vão de 20% a 30% até 70%, e não é brincadeira nem Black Friday brasileira, os descontos são de verdade. Tudo entra em promoção, mas o que mais deixa as pessoas em alvoroço, pelo menos em Paris, são as roupas.

Imagem: Coupon-promo.fr

A coisa dos soldes é tão séria na França que as vendas caem muito no período anterior a eles e durante aqueles dias marcados, a maioria esmagadora das lojas entra em promoção. Em Paris é um evento, as pessoas vão loucamente para as lojas, eu incluída. Apesar disso, confesso que não aproveitei os soldes d'hiver no ano passado, não comprei nadinha pois estava em nível hard de economia. Já nos soldes d'été (que geralmente vão de junho a agosto), eu enfiei o pé na jaca mesmo.

Mas afinal, quais são as melhores lojas para se comprar roupa boa e barata em Paris? Antes de responder a esta pergunta, quero lembrar que não são todos os produtos das lojas que entram em liquidação, as coleções novas não entram, e que estas dicas valem para o ano todo, quer estejamos em soldes ou não.

A Primark Créteil Soleil. Foto: Primark.com

As operadoras de celular em Paris


Cá estamos nós para a primeira postagem de 2016! Como vocês podem ver, o blog está de cara nova e teremos muitas emoções em Paris no ano novo. Para começar, vou falar sobre um assunto essencial para a maioria das pessoas no mundo de hoje: a linha de telefone celular, ou melhor, as operadoras de celular da França.

Eu tinha pesquisado sobre este tema na internet antes de ir para Paris, e tinha um plano perfeito traçado para quando chegasse lá, mas quando cheguei mesmo, a história foi outra. Como contei neste post aqui sobre o 1º dia em Paris, eu precisava de um chip francês que funcionasse imediatamente assim que chegasse ao aeroporto, e tinha escolhido une carte SIM prépayée (vulgo chip pré-pago) da Orange, maior operadora de telefonia francesa, mas não achei na Relay, a "loja de conveniência" do aeroporto, e acabei comprando um chip da SFR.

Pois bem. O chip da SFR serviu ao seu propósito, que era o de ligar para a representante da dona do apartamento e avisar que havia chegado, e para que eu pudesse iniciar minha vida em Paris tendo um número francês. O problema é que, por se tratar de um chip pré-pago, ele tinha que ser recarregado, e as recargas eram caras e, ou acabavam rápido, ou simplesmente expiravam. Sim, a recarga de 5 euros expirava após sete dias. Havia também recargas de 15, 25, 35, até 95 euros, se bem me lembro. Mas elas eram nuas e cruas, cobravam por mb de internet e por min de ligação. Wi-fi, nem pensar. Eu comprava as recargas em lojas da SFR e em algumas lojas de tabacaria, mas geralmente perdia dinheiro, já que geralmente não precisava ligar para ninguém e nem usar sms nos dias em que ela valia. Aí uma semana depois a recarga expirava e isto geralmente acontecia justo quando eu precisava ligar para alguém ou retornar uma ligação. Era uma época agitada, eu estava procurando emprego, abrindo conta no banco e precisava usar o celular sempre nos momentos em que não tinha mais crédito.

Logo da SFR.
Assim, eu comecei a pesquisar novamente as opções de operadora na França.

Sobre os apartamentos em Paris e os banlieues


Quando estamos nos preparando para ir morar na França, no meu caso, em Paris, tem muita coisa que não sabemos, isso é normal. Se conhecemos alguém que já mora ou morou lá e que pode nos dar orientações, pode-se dizer que encontramos um tesouro, pois ir com certas informações na bagagem é inestimável.

Uma destas informações preciosas que eu gostaria de ter tido quando me preparava para ir é sobre os apartamentos em Paris. Você, querido leitor que acompanha o blog, já deve ter lido este post aqui, no qual eu conto minha experiência no aluguel de apartamentos na Cidade Luz. O que eu aprendi depois daquele post é o que vou contar agora para vocês.

Uma das leitoras do blog, a Lizi, comentou sua preocupação com os preços dos alugueis parisienses, que estão pesando em suas contas. Pensando no problema da Lizi, que também deve ser o de muitas outras pessoas, vim falar novamente sobre este assunto. Sabemos que os apartamentos em Paris normalmente tem alugueis absurdamente caros, são antigos e minúsculos, muitos deles sem o menor conforto. Alugueis de um studio de 15m² para apenas uma pessoa custam em torno de 700 euros. Lógico que encontramos alguns que custam menos do que isso, em arrondissements mais populares e e/ou residenciais, sem nenhum ponto turístico por perto. O 17 e o 19 são exemplos, arrondissements mais populares onde mora um grande número de imigrantes, assim como o 12 e o 13, que são mais residenciais. Nos bairros mais centrais ou mais ricos os alugueis são ainda mais caros.

Morar nesta rua é "um pouco" caro. Foto: Vanessa Santos.
O que não te contam neste processo de procurar um lugar para morar em Paris e que você descobre quando chega lá é que existem os banlieues, os "subúrbios", locais mais afastados do centro, fora da cidade de Paris propriamente dita, geralmente na zona 2 ou até 3 dos transportes públicos. Muitos destes bairros são onde ficam as estações terminais das linhas de metrô, ou são servidos pelos RER, os "meio trens/meio metrô" de Paris. Nestes banlieues ficam também algumas universidades, como o campus Saint-Denis da Paris 13, em Saint-Denis, no final da linha 13, e a Université Paris-Est Créteil (ex-Paris 12), em Créteil, no final da linha 8 do metrô. Neles, é possível encontrar apartamentos maiores e muito mais baratos, em torno de 300, 400 euros, valor do aluguel normal em várias outras grandes cidades da França. Tenho uma amiga que mora perto da estação La Corneuve, no final da linha 7, que paga 600 euros por mês em uma casa de 2 andares, grande e confortável.

As burocracias da Securité sociale, a.k.a., o plano de saúde


Além de todas as burocracias da candidatura, do visto e do procedimento OFII, quando você chega à França, ainda tem mais uma coisa para resolver: a securité sociale. Esta bendita nada mais é do que o plano de saúde francês. Algumas pessoas me perguntaram se deviam contratar um seguro viagem daqueles que fazemos quando viajamos antes de ir estudar numa universidade francesa e eu normalmente digo que não, não é preciso. Se você tem menos de 26 anos e vai se matricular numa faculdade na França, você terá direito à securité sociale. No ato da matrícula, você também está aderindo ao plano de saúde, que é pago. Você paga a taxa de matrícula mais o valor da securité sociale, que para mim foi em torno de 480 euros no total.

Como funciona este plano de saúde? Quando você faz a sua matrícula, o funcionário encarregado vai te dar duas opções, uma mutuelle (a sociedade sem fins lucrativos que proporciona os benefícios da securité sociale) com uma cobertura regional e uma com cobertura nacional. E eles não te dão nenhuma dica sobre qual escolher, mesmo que você pergunte. Eu escolhi a de cobertura nacional e não gostei, meus amigos que escolheram a regional tiveram que lidar com bem menos burocracias. Neste sistema, se você precisar ir ao médico, comprar remédios ou sofrer um acidente/passar mal e precisar ser internado, a securité sociale que você contratou vai ressarcir parte do valor que você pagou pelo atendimento médico, palavra chave sendo "ressarcir". Na França não existe atendimento médico gratuito (a não ser em alguns casos, como vou explicar abaixo, mas ainda assim não é exatamente gratuito). O sistema de saúde deles é eficiente, rápido e moderno, mas não é grátis.


Assim que aderi à mutuelle escolhida, LMDE, me enviaram para falar com a moça responsável. Ela me explicou que eu teria que fazer alguns procedimentos para ter direito aos benefícios da securité sociale. Eu deveria ter um médecin traitant, isto é, meu médico pessoal. Eu teria que ir numa consulta e levar um formulário para que ele ou ela assinasse e carimbasse, e sempre que eu precisasse de um médico, eu teria que ligar para ele/ela primeiro. Tendo este formulário em mãos, eu deveria enviá-lo pelo correio com um RIB, que eu descobri ser um documento emitido pelo banco com todas as informações nacionais e internacionais da minha conta. Conta esta que eu não tinha, mas tive que abrir (história que vai ficar para um próximo post). O RIB era necessário para que eles pudessem depositar os valores ressarcidos de remédios e consultas.

A nova plataforma Campus France


Olá, pessoas! Recentemente, eu vi na página do Campus France que as candidaturas às formações em universidades francesas (Licence, Master etc.) serão feitas em uma nova plataforma a partir deste ano (para o ano letivo 2016/2017), chamada Études en France. Não entrei na plataforma, mas pelo que vi, ela me parece estar mais simples e mais intuitiva. 

Você pode encontrar as novas orientações aqui, nesta página do próprio Campus France. Desta vez, eles fizeram uma página mais simples e não um Guia de Orientação como nos outros anos. O procedimento continua o mesmo, isto é, preencher o formulário, registrar as candidaturas para as universidades escolhidas, pagar a taxa, fazer o teste de francês e a entrevista, mas a plataforma Campus France, onde tudo isso é feito, foi modernizada. O que pude pegar da nova página de orientações é que o formulário também continua muito parecido com o antigo, então as orientações que dei aqui no blog ainda são válidas. Para não haver confusão, estou atualizando todos os posts sobre o procedimento Campus France com uma observação, pois nem tudo pode estar mais exatamente como descrevi. 

Então é isso, galera, bonne chance a quem vai se candidatar! :)


Sobre bolsas e auxílios

Quem é vivo sempre aparece! Depois de longos e tenebrosos meses de ausência, cá estou novamente para mais uma aventura do estudante estrangeiro na França: a de conseguir bolsas e auxílios.

Algumas pessoas já me perguntaram sobre este tema, então resolvi fazer um post para dividir com vocês meu pouco conhecimento sobre este tema. Digo pouco pois infelizmente não tive nenhuma bolsa para os meus estudos em Paris. Sei que elas existem e que é possível consegui-las, mas na época em que pesquisei, nenhuma era viável para mim, pelos mais variados motivos, como período de inscrição já encerrado ou incompatível com os meus prazos, ou o fato da bolsa não contemplar o (meu) Master, ou o Brasil, ou a Psicologia (Ciências Humanas em geral). 

As bolsas. Se você quiser saber mais sobre bolsas, o Campus France tem uma página que fala sobre elas e uma plataforma para buscá-las chamada CampusBourses. É uma ferramente bem útil, e você pode encontrar a página aqui . É preciso ter em mente, porém, que as candidaturas para bolsas são feitas bem cedo, e se encerram meses antes do ano letivo começar, em setembro, então sugiro que a pesquisa e os procedimentos relacionados a bolsas sejam feitos com bastante antecedência. Isto pode ser um problema, já que as universidades geralmente dão as respostas positivas ou negativas aos candidatos à suas formações relativamente tarde, em junho, julho e até agosto. O ideal é pesquisar tudo sobre prazos e regulamentos para saber se você vai poder se inscrever em alguma seleção para bolsa e já se preparar. 

Uma outra dica é um novo programa que oferece 200 bolsas para estudantes estrangeiros do Master chamado USPC MIEM. As candidaturas para 2015-2016 já estão encerradas (foram dois períodos, um encerrado em março e o outro em maio), mas deixo o link para os futuros interessados se informarem melhor sobre as universidades e os Masters contemplados, assim como procedimentos de candidatura. O site é este aqui . Lembrando que mesmo que você não tenha conseguido bolsa para o primeiro ano (M1), há a possibilidade de conseguir uma para o segundo, já que as candidaturas às bolsas são feitas diretamente com os responsáveis pelos Masters elegíveis a elas.


A CAF. Passando para o próximo item do post, temos um auxílio muito importante:

O procedimento OFII, um pequeno grande detalhe


Fala, galera! Apareci! Prontos para mais uma aventura? Então vamos lá!

Quando você chega em Paris, além das 1500 coisas que você tem que organizar para iniciar sua vida por aqui, ainda tem o tal do procedimento OFII (aquele que te explicam no dia em que te entregam o visto) para realizar. Então hoje vou falar um pouco sobre ele, que é de extrema importância e sobre o qual quase ninguém te fala.

O que é o procedimento OFII? No dia em que você pega o passaporte com o visto, o funcionário do consulado entrega também um formulário que você deve preencher e as instruções sobre o que fazer em seguida. O endereço para onde você deve enviá-lo preenchido junto com a cópia do seu passaporte (pelo correio, o famoso La Poste) assim que chegar à França é o do Office Français de L'Immigration et de L'Intégration, o OFII, que é basicamente um escritório de imigração francês, onde todos os imigrantes submetidos a um visto de longa duração devem se apresentar para um exame médico (?!) assim que chegam ao país. Na folha de orientação que o consulado dá, consta que após enviar os documentos, você receberá no endereço indicado uma carta com um rendez-vous, ou seja, uma data e hora marcadas no OFII para mostrar (mais) alguns documentos e realizar os exames.

Place de la Bastille vista da janela do ônibus. O OFII fica ali pertinho. Foto: Vanessa Santos

Atenção: este procedimento é obrigatório e deve ser realizado imediatamente após a chegada à França. Você tem um prazo de três meses para realizá-lo, e nestes três meses tem liberdade para viajar para fora do país e retornar tranquilamente, mas se após estes três meses você não tiver completado o procedimento, estará na França ilegalmente. Como vão saber que tudo foi feito corretamente? O OFII cola um selo no seu passaporte com seus dados e indicando que você tem autorização para residir na França. 

A sumida


Pessoas queridas,

Estou passando para dizer que não abandonei o blog. Estou é numa correria trabalhando, assistindo aulas e me angustiando com a proximidade da entrega da dissertação do Master, que é daqui a dois meses. Qualquer hora apareço com mais aventuras na Cidade Luz!



Bisou!

Sobre a experiência de estudar na Paris-Diderot (Paris 7)


Faz quatro meses, quase cinco, que cheguei à França e me matriculei na Université Paris-Diderot, a Paris 7. De lá para cá já foram muitíssimas emoções "living the dream" de estudar em Paris. Mas afinal, como é estudar numa universidade francesa? O que tem de bom e o que tem de ruim?

A matrícula. Para começar, já no dia da matrícula, dia 2 de setembro, eu levei um balde de água fria na cabeça ao chegar à faculdade. Toda aquela organização obsessiva, aquela atenção que o Campus France te dá, tudo aquilo cai por terra na França. Cheguei à Paris 7 no horário marcado e simplesmente não me pediram nenhum documento, nada de nada (tirando meu passaporte). Nada de diploma, histórico etc, como diziam no agendamento da matrícula. Fizeram perguntas sobre a minha formação e anotaram o que eu dizia. E se eu tivesse mentido?

Depois disso, ninguém sabe te informar mais nada sobre a sua formação. Eu fiquei andando feito barata tonta, tive que voltar lá mais duas vezes para conseguir alguma informação (incompleta) sobre o que fazer depois da matrícula. Numa dessas vezes eu voltei para casa sem sequer conseguir chegar ao setor de estudos psicanalíticos, porque o prédio Olympe de Gouges é um belo de um labirinto e nem as pessoas que trabalham lá sabem te explicar onde ficam as coisas. Depois de muito rodar, encontrei a funcionária responsável pelo Master 2 Recherche, que me "explicou" como as coisas funcionavam. Ela disse que não faríamos a inscrição pedagógica - fase 2 - (a que eu tinha feito havia sido a administrativa - fase 1 - ), pois ela mesma nos inscreveria nas disciplinas, e que eu tinha que somente me informar sobre a aula de língua estrangeira, sem me dizer que esta só seria obrigatória no 2º semestre. Corri atrás feito louca, dando cabeçadas por todo lado, e consegui me inscrever na aula de Francês Língua Estrangeira, depois de fazer um teste online para definir meu nível.

A Paris 7 e o belo jardim onde os alunos adoram ficar - quando tem sol-. Foto: Vanessa Santos

Je suis Charlie E Je suis Ahmed. Paris e os tempos de terrorismo


Na quarta-feira, dia 7 de janeiro de 2015, eu estava na faculdade o dia todo fazendo provas, então demorei a ficar sabendo do ataque ao jornal Cherlie Hebdo, e mais ainda a perceber a gravidade da situação para o país. Quando voltei para casa, por volta das 18h, não notei nada de diferente nem no metrô nem nas ruas, e só sabia que dois homens haviam invadido um jornal e aberto fogo. Cheguei em casa e vi as mensagens dos amigos no Facebook perguntando se eu estava bem, pedindo notícias, pois estavam vendo um plantão, cobertura completa, de um ataque terrorista em Paris. Então eu fiquei sabendo que era um jornal que publicava caricaturas de Maomé e ridicularizava o Islã e por vezes também o Catolicismo (eu mesma, que não tenho religião, tinha ficado chocada dias antes com uma capa do jornal ridicularizando Jesus Cristo, a primeira capa que tinha visto deles). Os dois homens teriam dito que estavam "vingando" o profeta (Maomé).

Foto: Rohma Malik/ Twitter
Tranquilizei todo mundo dizendo que estava bem, que o local onde havia ocorrido o ataque era próximo de onde eu moro mas não conheço nem passo por lá, e que não tinha notado nada de diferente na volta para casa nas ruas. Muita gente me perguntou como estava o clima na cidade, e demonstraram preocupação crescente, uma vez que uma "guerra" havia eclodido no país, com a polícia em alerta máximo, o assassinato da policial na divisa de Paris com Montrouge no dia seguinte, a caça aos suspeitos do ataque ao jornal e a cobertura da mídia 24h por dia (no Brasil, inclusive) mostrando cada detalhe e considerando os acontecimentos como o "11 de setembro da França".

Natal na Champs-Elysées


Ontem foi dia 24 de dezembro e pela primeira vez na minha vida eu não passei a noite de Natal em casa, ou com a família, ou no meu país. E o resultado foi: farofa na Champs-Elysées. Ou melhor, nem farofa teve porque não tinha comida. Ha!

Decoração da Champs-Elysées para o Natal 2014. Foto por mim mesma.

Tudo começou quando um casal de amigos brasileiros que conheci aqui, a Maria Júlia e o Douglas, e eu nos demos conta de que não seria possível fazermos uma ceia de Natal no apartamento de nenhuma das pessoas envolvidas (incluindo pais e amigos deles) porque moramos em mini-apartamentos ou então apartamentos sem mesa, com mesa pequena, sem pia da cozinha etc. Aí começamos a nos indagar onde diachos íamos passar o Natal. Não queríamos fazer reserva em algum restaurante porque íamos gastar todo o salário de um mês em um jantar e além do mais já estava em cima da hora. Até que Maju saiu com a ideia de passarmos na famosa, épica, ostentação, Avenue de Champs-Elysées, no Marché de Noël (Mercado de Natal) que fica montado lá nesta época do ano, cheio de barracas de crepe de Nutella, queijos, churros, vinho quente e outras delícias. Com uma pesquisa o Google, vimos que o mercado supostamente estaria aberto até as 23h. Levaríamos vinho e algum petisco e tudo estaria bem.

Morar Sozinha: As 1001 Idas ao Supermercado


Chega uma época da vida em que todo mundo quer sair de casa e morar sozinho, ter seu apê, seu emprego, ser dono do próprio nariz. Aí um dia você resolve fazer um mestrado na França e tem a oportunidade de sentir na pele o que é morar sozinho. Eu estou passando por essa fase agora e digo uma coisa: não é nada fácil. Tem suas vantagens, é claro, que são inegáveis, e a principal delas é a tão famosa e desejada liberdade. Arrumar o apê como você quiser, comer o que quiser, limpar quando (e se) quiser, poder ir onde e quando quiser sem ter que dar explicações a ninguém ou sequer dizer aonde vai. Mas aí entra a outra questão: morar sozinho significa que você também vai ter que cuidar de todo o funcionamento de uma casa (apartamento) sozinho e isso pode virar uma grande bola de neve.

Para começar, o supermercado tem que virar seu melhor amigo. Você tem que conhecê-lo como a palma da sua mão, porque você vai ao bendito todos os dias e SEMPRE vai estar faltando alguma coisa. Tem que comprar comida (e muuuita comida), produtos de limpeza e higiene e, acredite, TODO DIA vai ter alguma coisa para comprar que você não pode deixar para o dia seguinte. Você também vai ter que carregar sozinho (e no meu caso, a pé/de metrô) as bolsas de compras, que tem o dom de ficarem mais pesadas a cada passo que você dá. E isso vai acontecer mesmo nos dias em que você ficou o dia inteiro no trabalho ou na faculdade e ainda precisa passar no supermercado, apesar de estar morto de cansado. Não falo nem dos dias em que tenho que ir duas vezes ou a dois ou três diferentes (ou Picard) porque preciso de coisas que tem em um e não no outro. E eu que sempre dizia pra minha mãe que ela ia ao mercado todo dia e não tinha necessidade disso e mimimi.

O "job étudiant": arrumando um emprego na Cidade das Luzes


Quem é vivo sempre aparece! Depois de um longo tempo sem postar, cá estou novamente para mais uma história da vida em Paris.

Acontece que um estudante sem bolsa e sem uma condição financeira confortável precisa arrumar um emprego para ajudar nas despesas que começam a chover assim que você põe o pé no aeroporto Charles de Gaulle. Claro que os estudantes que não precisam do emprego podem querer um, já que é uma grande experiência de qualquer forma, mas no meu caso eu precisava loucamente de um trabalho o mais rápido possível. E aí, como arrumar um?
Spoiler sobre a conclusão do post
Aqui em Paris, assim como em muitos outros lugares, os estudantes trabalham principalmente como babás, ou então como vendedores, recepcionistas, garçons etc. O emprego precisa ser em tempo parcial, já que no visto está especificado que você só pode trabalhar até 60% da durée légale, que é a jornada de trabalho do francês, de 35 horas. Ou seja, você só pode trabalhar em torno de 21 horas por semana.

A Marina, minha professora de francês que também fez o Master aqui e que me deu todas as dicas, tinha me dito que em Paris os estudantes trabalham mesmo é como babá (baby-sitter [se lê "baby-sittér" na pronúncia francesa]) porque é um emprego muito fácil de encontrar, você trabalha só algumas horas por semana, o salário costuma ser bom e o trabalho, tranquilo. Eu, na contramão, não queria trabalhar de babá de jeito nenhum porque eu simplesmente não tenho muito jeito com crianças e nem muita experiência com elas. Sentia que era uma responsabilidade grande demais pra mim cuidar dos filhos de alguém sem nenhum preparo para isso. Aí eu decidi tentar outras coisas.

Lavando roupa em Paris


Aí chega aquela hora que ninguém pensa enquanto está se imaginando tomando champanhe na sacada do hotel com vista para a Torre Eiffel: a hora de lavar a roupa suja. Pois é, a gente vai usando e usando e uma pilha enorme vai se formando na cesta de roupas do banheiro até que você abre o armário e está praticamente vazio, sem roupa limpa para usar.

Aqui em Paris, a maioria dos studios, os pequenos (e mais baratos) apartamentos para uma ou duas pessoas não tem máquina de lavar nem varal, o que significa que temos que usar as chamadas laveries libre service. Tem várias espalhadas pela cidade, é só jogar no Google e encontrar a mais próxima de você. Só que uma outra coisa que ninguém imagina é a aventura que pode se tornar sua simples ida à lavanderia. Vou contar a minha.

Depois de achar a laverie libre service mais próxima da minha casa, eu coloquei aquele monte de roupa, lençóis e toalhas na bolsa do supermercado e fui. Já começa por aí. O peso absurdo de quilos de roupa que você tem que carregar. Chegando lá, tinha algumas pessoas, mas ainda havia algumas máquinas vazias. A minha sorte é que eu tinha lido uns posts na internet sobre o uso dessas lavanderias "self-service" e já tinha uma ideia de como é o processo, mas ainda assim não foi muito fácil. A ideia é a seguinte:


- Você encontra uma máquina vazia e coloca todas as suas roupas lá dentro. Em seguida, acerte a temperatura da lavagem. Quanto maior a temperatura, mais tempo de lavagem. Eu coloco sempre entre 30 e 40 graus (porque demora menos tempo... hehehe), mas não faço a mínima se é a temperatura correta. Eles tem um cartaz explicando qual a temperatura para cada tipo de roupa, os nomes dos ciclos de lavagem e tecidos e coisa e tal e eu não entendo nada. Atenção com as cores, nada de misturar preto, branco, vermelho, a não ser que você tenha certeza de que aquelas roupas em especial não soltam tinta durante a lavagem. Para mim é um drama porque eu tenho uma peça de cada cor e tudo solta tinta. Aí o jeito foi fazer uma separação dos pretos/jeans escuros; brancos/cores claras/não solta tinta, para fazer duas lavagens. O resto vai na mão mesmo. Comprei um sabão, montei um esquema e peças que são uma de cada cor e a roupa íntima eu lavo na mão em casa e penduro pra secar por todo o apartamento. Fica uma beleza. Só que não.

A novela do microondas quebrado


Ufa! Depois de uma semana muito louca no emprego novo e na faculdade nova estou de volta para contar mais um causo da minha vida em Paris.

Aconteceu que uma semana depois da minha chegada ao novo apartamento, o microondas simplesmente parou de funcionar. Pois é. Um belo dia, eu coloquei minha jantinha da Picard para esquentar, morrendo de fome, e quando tirei a caixinha do microondas, estava tudo congelado do jeito que eu havia colocado lá dentro. Um pânico que acho que nunca tinha sentido igual se instaurou dentro de mim. O QUE EU IA FAZER DA MINHA VIDA SEM UM MICROONDAS?? Este pequeno eletrodoméstico é o centro da minha vida doméstica. Eu não tinha/tenho nada em casa para cozinhar, nada mesmo, eram quase onze da noite, eu estava cheia de fome e não tinha o que comer. Então em meio aquele sofrimento eu fiz um sanduíche de pão de forma e blanc de poulet (aquelas fatias de algo que não se o nome e que vem em bandejas no Brasil, só que de frango), um Nesquick e fui dormir, com o estômago insatisfeito. No dia seguinte, começou a saga do microondas.

Liguei para a representante da dona do meu apartamento (a dona mesmo mora em Londres e me disse que se eu precisasse de algo que era melhor ligar para a representante primeiro porque ela estaria por perto) e disse que o bendito havia quebrado. Aí o que ela fez? Me mandou ligar para a dona do apartamento! Disse que não poderia resolver nada sem falar com a dona primeiro. Tá, né, então qual o sentido de ligar para ela? Enfim. Aí lá fui eu comprar créditos de Skype e ligar para o celular da dona do apê em Londres. Eu só consegui falar com ela naquele dia à tarde e já estava há mais de 24h sem uma refeição de verdade (o almoço tinha sido um panini da minha lanchonete amiga aqui perto) e super estressada porque ninguém me atendia e ninguém me ajudava. Então ela me disse: "eu vou comprar um microondas e mandar pra você" e uma sirene soou na minha cabeça, me fazendo responder: "mas eu preciso dele tipo hoje, eu preciso comer!" (disse exatamente isso só que de forma educada) e ela disse que eu podia comprar um microondas e depois descontar do aluguel. OK. Na hora, fiz uma pesquisa no site da loja de eletrodomésticos chamada Darty e vi uns microondas a 59 euros. Corri nas duas lojas da Darty aqui perto, uma na rue de Rivoli e outra no shopping Le Forum des Halles, passei os preços dos disponíveis para a dona do apê por telefone, ela disse "compra!" e eu decidi comprar na loja do shopping.

Darty Les Halles

Os insetos (!!!) no apartamento


Logo no meu primeiro despertar no apartamento, tive uma desagradável surpresa. Insetos. Insetos estranhos, nojentos, moles, brilhantes, que corriam loucamente pelo chão, e tinha vários deles na banheira, e alguns pipocando pelos cantos. Entrei em desespero. Como assim insetos em Paris? Eu não conseguia acreditar. Quer dizer, é óbvio que eu sabia que existem insetos em Paris, mas sabe aquela coisa que não passa pela sua cabeça?

No dia seguinte, a representante da dona do apartamento bateu à minha porta de manhã, do nada, para me avisar que eu tinha esquecido a chave do lado de fora da porta (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!), algo que nunca tinha feito na minha vida, mas tudo bem. Ela ainda me consolou, dizendo que não tinha problema, que o prédio tinha segurança, código para entrar etc., mas pelamor né. Aí eu aproveitei e falei dos insetos, e ela me sugeriu que eu tirasse uma foto do bicho e fosse até uma loja que tem aqui pertinho chamada BHV, uma loja de departamentos que tem absolutamente tudo, uns seis ou sete andares que vão de canos, máquinas de lavar e chuveiros a roupas, sapatos, sabão, vassouras e... inseticidas. Ela fica ao lado do Hôtel de Ville, e se chamava inclusive Bazar de L'Hôtel de Ville. Nesta loja, ela disse que eu poderia perguntar a algum vendedor e eles me indicariam um produto para matar este inseto em particular.

Então eu assim o fiz. Tirei uma foto do bicho, fui até a sessão de droguerie da BHV (não, não é a mesma coisa que a nossa "drogaria", é uma sessão de inseticidas, sabão e detergente), onde eu mostrei a foto para um vendedor e ele me disse que aquilo era um poisson d'argent. Não, eu não vou colocar foto dele aqui porque é nojento, mas no Brasil é conhecido como traça ou peixinho-de-prata. Só de ouvir o nome dele me dá coisas. Aí ele me indicou um produto chamado Bio Kill que custa 16,50 euros, e me mandou espirrá-lo nos cantos do apartamento. Cheguei em casa e não sei como não morri eu própria com o troço, porque devo ter colocado um litro de produto pela casa.

A arma.
O resultado é que logo em seguida, os bichos começaram a aparecer mortos e com o tempo diminuíram. Hoje ainda aparece um ou outro, mas é raro.

A lição do dia é: em Paris também tem insetos.

A Refeição de Cada Dia: A Picard e o Monoprix


Todo mundo sabe que Paris é famosa pelos seus restaurantes e cafés, pelas suas boulangeries e pâtisseries. Na verdade, pela sua gastronomia em geral. Mas e o Lado B? As outras formas de obter as refeições de cada dia na Cidade Luz? É aí que entram o supermercado e a loja de congelados.

Cena do filme Ratatouille, da Disney, um dos meus favoritos. "Qualquer um pode cozinhar."
A Picard Surgelés é uma loja que só vende comida congelada, e tem um monte de filiais pela França toda. Eles são perfeitos. Você pode encontrar refeições prontas para uma ou mais pessoas que vão ao microondas ou ao forno elétrico, e acreditem, são uma delícia! Tem para todos os gostos, pratos variados com carnes, vegetais, peixes, massas, e uma sessão de comida de outros países. Tem sobremesas, incluindo sorvetes (Haagen-Dazs e tudo), bebidas e também ingredientes avulsos congelados, como carnes e peixes para serem cozidos em casa, vegetais cortados (batatas para fritar!), sopas, purês, comida para bebês, pizzas, e por aí vai. Tem de tudo, e tudo muito bom e barato.

Os pratos prontos para uma pessoa chamados "formule express" custam 2 euros e eu adoro. Tem um gnocchi com espinafre e queijo de cabra que é sensacional, assim como a lasanha de espinafre e queijo de cabra que me dá água na boca só de lembrar. Tem um mini-farfalle ao molho de três queijos que também é dos deuses. Os pratos mais complexos ou com ingredientes mais caros, como camarão, custam um pouco mais, mas você encontra refeições completas de todos os tipos custando de 2 a 4 euros, e boas de verdade. Com 20 euros, é possível comprar almoço e jantar para uns 4 dias ou mais, dependendo dos pratos que você pegar.

O vazio de não ser turista em Paris...


Inaugurando as reflexões filosóficas do blog, resolvi falar hoje sobre uma coisa na qual eu não pensava antes de vir morar aqui, um sentimento que nem passava pela minha cabeça quando eu sonhava com a vida em Paris: o vazio de não ser turista e tampouco moradora da cidade. Mas como assim não ser turista e nem moradora?

Em 2011, eu vim como turista. Eu tinha um propósito, que era conhecer o maior número de pontos turísticos possíveis. Ir à Torre Eiffel, ao Arco do Triunfo, ao Louvre, ao Musée D'Orsay, à Catedral de Notre-Dame, passear de barco no rio Senna, ufa! Os dias mal davam para fazer tudo, e eu não tinha tempo nem para pensar ou para questionar qualquer coisa.

Eu na Disneyland Paris em 2011, realizando meu sonho. Mais turista impossível.
Agora, tudo é diferente. Eu não sou turista, e não estou sob a pressão de conhecer tudo e tirar mil fotos nos poucos dias que vou ficar na cidade. Agora eu vim morar aqui, vim estudar, trabalhar, montar uma vida em Paris. Aí nas primeiras semanas o que aconteceu foi que eu senti um vazio imenso! Eu não me sentia turista, eu não tinha vontade de ficar correndo de um lado para o outro nos pontos turísticos, não estava louca para ir à Torre ou passear pela Champs-Elysées. Por outro lado, também não me sentia moradora ainda, pois não tinha começado a faculdade, não tinha emprego, nenhum compromisso, não tinha... nada pra fazer.

A verdade é que quando você chega aqui sem ser turista, a cidade aparece de outra forma. Eu cheguei e só me preocupava com a parte prática do dia a dia, eu precisava descobrir os supermercados, me adaptar à Picard (os congelados que vem à seguir), descobrir a lavanderia, abrir a conta no banco, fazer a matrícula na faculdade, fazer o procedimento do OFII (escritório de imigração), que envolvia os Correios daqui, chamados La Poste, e por aí vai. Mas eu não ia fazer tudo isso ao mesmo tempo e no mesmo dia, então eu fazia uma ou duas dessas coisas por dia, que acabavam muito rápido, e eu simplesmente não sabia mais o que fazer comigo mesma no resto do dia. (sugestão: continuem lendo o post com a música do White Stripes como trilha sonora desta reflexão.)